"Permanecia uma hora inteira mergulhado dentro da banheira, escutando música, até a água ficar fria. E especialmente ali, dentro da água, eu me sentia cansado. Velho, em certo sentido. No sentido de que era tarde demais pra morrer jovem."
Até o dia em que o cão morreu - Daniel Galera
quarta-feira, 19 de março de 2008
domingo, 16 de março de 2008
Na vida acontece inúmeras vezes de nos depararmos diante de uma inebriante obra de arte. Sem levar em consideração a linguagem dessa obra, o que realmente conta é o sentimento despertado dentro de nós. Somente graças ao autor que é possível tal feito, de conseguir gerar a sensação de que daqui pra frente será tudo diferente. Pois, quantas vezes você já fez votos no fim do ano? Ou, então, já ouviu alguém falar que iria fazer? O que acontece é que por muitas vezes sentimos a necessidade de mudança, e nada melhor do que uma data simbólica, de tanta importância para se realizar os pedidos, ou então, da já citada obra de arte.
O que chama a atenção é que tanto os votos quanto a mudança de pensamento se tornam um marco, um ponto zero, onde afirmamos para nós mesmo que a partir daquele momento as coisas serão diferentes.
Esse marco zero pode ser um filme, uma música, uma peça, um quadro, enfim, qualquer obra de qualquer linguagem artística. E nossas vidas estão recheadas desses marcos. Lembro-me bem das revoluções nas minhas idéias; o filme que mudou minha visão sobre cinema; a música que me fez querer aprender sobre a semiótica musical; o livro que revolucionou minha visão de mundo.
O grande problema, agora, é eu lembrar do que exatamente eu gostaria de falar quando comecei a escrever esse texto. Talvez fosse da sensibilidade do artista, ou da necessidade de mudança, ou da massificação dos sentimentos, ou de uma leve nostalgia que se abateu sobre mim.
O que chama a atenção é que tanto os votos quanto a mudança de pensamento se tornam um marco, um ponto zero, onde afirmamos para nós mesmo que a partir daquele momento as coisas serão diferentes.
Esse marco zero pode ser um filme, uma música, uma peça, um quadro, enfim, qualquer obra de qualquer linguagem artística. E nossas vidas estão recheadas desses marcos. Lembro-me bem das revoluções nas minhas idéias; o filme que mudou minha visão sobre cinema; a música que me fez querer aprender sobre a semiótica musical; o livro que revolucionou minha visão de mundo.
O grande problema, agora, é eu lembrar do que exatamente eu gostaria de falar quando comecei a escrever esse texto. Talvez fosse da sensibilidade do artista, ou da necessidade de mudança, ou da massificação dos sentimentos, ou de uma leve nostalgia que se abateu sobre mim.
quarta-feira, 12 de março de 2008
Comecei a ler, ontem, um dos livros de Bertrand Russel, por acaso o mais conhecido, A História do Pensamento Ocidental.
Logo na apresentação onde o editor, provavelmente, faz uma breve "homenagem" ao autor. E uma dessas frases me chamou a atenção. E utilizando uma definição de Bertrand, ele escreveu: "A filosofia deve ser estudada não com o objetivo de se chegar a alguma resposta definitiva às suas questões, já que nenhuma resposta definitiva pode, como regra, ser reconhecida como verdadeira. Ela deve ser estudada em virtude das próprias questões, pois essas questões ampliam nossa concepção de que seja possível, enriquecem nossa imaginação intelectual e diminuem as certezas dogmáticas que fecham nossa mente à especulação. Mas sobretudo ela deve ser estudada porque, graças à grandeza do universo que a filosofia contempla, a mente também é engrandecida e se torna capaz daquela união com o universo que constitui o mais alto dos bens."
Eu já havia estudado essa "união" de uma outra maneira, de um jeito mais prático e menos penoso - eu digo isso pelo tempo que se gasta e também pela difícil compreensão de alguns textos - que os estudos. No entanto, esse meio pelo qual eu já havia aprendido, as vezes deixava um vazio, e dava a impressão de que a busca daquela resposta estava emperrada, atravancada. O que nos dá uma sensação de vazio interior, de derrota, de inferioridade, de falta de sentido para as coisas.
Visto que eu não ia adiante com certas questões passei, então, a buscar as respostas com a ajuda da filosofia. Confesso que encontro quase sempre.
Logo na apresentação onde o editor, provavelmente, faz uma breve "homenagem" ao autor. E uma dessas frases me chamou a atenção. E utilizando uma definição de Bertrand, ele escreveu: "A filosofia deve ser estudada não com o objetivo de se chegar a alguma resposta definitiva às suas questões, já que nenhuma resposta definitiva pode, como regra, ser reconhecida como verdadeira. Ela deve ser estudada em virtude das próprias questões, pois essas questões ampliam nossa concepção de que seja possível, enriquecem nossa imaginação intelectual e diminuem as certezas dogmáticas que fecham nossa mente à especulação. Mas sobretudo ela deve ser estudada porque, graças à grandeza do universo que a filosofia contempla, a mente também é engrandecida e se torna capaz daquela união com o universo que constitui o mais alto dos bens."
Eu já havia estudado essa "união" de uma outra maneira, de um jeito mais prático e menos penoso - eu digo isso pelo tempo que se gasta e também pela difícil compreensão de alguns textos - que os estudos. No entanto, esse meio pelo qual eu já havia aprendido, as vezes deixava um vazio, e dava a impressão de que a busca daquela resposta estava emperrada, atravancada. O que nos dá uma sensação de vazio interior, de derrota, de inferioridade, de falta de sentido para as coisas.
Visto que eu não ia adiante com certas questões passei, então, a buscar as respostas com a ajuda da filosofia. Confesso que encontro quase sempre.
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